Mulheres à frente, ou “love is a battlefield”

SIM! SIM! SIM! Chega de opiniões nerd-machistas nesse blog! É com grande honra que apresentamos nossa primeira colaboradora, Talita – A Branca. Apesar do nome, ela não possui qualquer parentesco com Gandalf(Rá!), porém traz toda a magia(esse trocadilho foi canalha em alta escala!), firmeza, clareza e sensatez em suas opiniões que aliadas a sua hipnotizante forma de escrever, fará deste, um blog ligeiramente mais democrático e assaz agradável por sua presença feminina. Em seu primeiro artigo, Talita – A Branca discorre sobre 2 heroínas de animes e seus reais dramas, que por muitas vezes são consideradas fracas por seus nobres sentimentos, quando na verdade isso às torna mais fortes do que o próprio protagonista da série…

Mulheres à frente, ou “love is a battlefield”

Apesar das emocionantes tramas, com batalhas e armas, Tessaiga e Zanbatou, e a cólera de super-poderes combinadas às gotas de suor do vencedor após a tão temida batalha, que nos fazem arrepiar aliviando a concentração, o que mais gosto nos animes são as nem tão frágeis mocinhas. São elas que colocam o amor em primeiro plano, e seguem corajosas até o fim, impulsionadas por este sentimento morrem, apanham e sofrem. E, ao contrário do drama que os machões fazem na hora de derrotar o inimigo, as mocinhas são obrigadas a enfrentar o desprezo do amado, conviver com sentimentos engasgados e aprenderem a lidar sozinha com o amor rejeitado.

Tomemos, por exemplo, a minha preferida, Kikyo de Inuyasha. Depois de ter se apaixonado pelo ‘homem’ que desejava sua jóia de quatro almas, foi morta por outro, transfigurado no primeiro a quem amava. Não entendeu, né? Tá, o importante é saber que ela morreu pensando que seu amado tinha a matado. E, portanto, como uma grande mulher, voltou do mundo dos mortos para se vingar (como assim ele me mata e continua lá vivo? E ainda por cima de romance com a reencarnação da minha alma?). A tal alma reencarnada é a Kagome, a menininha boba que aparece para estragar a continuação de um grande amor. E ela estraga, porque ao contrário de Kikyo, uma personagem com defeitos reais, sentimentos e emoções impulsivas, Kagome é só uma adolescente colegial com tendência a se apaixonar por qualquer um que a contrarie. O clímax do amor entre Inuyasha e Kikyo é a deserção. Aliás, Kikyo mostra em seu personagem como amor e ódio podem caminhar juntos, e que dessa mistura nasce a paixão. Mas, infelizmente, toda paixão tem um fim trágico, pois, se não, seria só amor.

Outra heroína pouco lembrada, presente na lista das favoritas, é June de Camaleão de Cavaleiros do Zodíaco. June é apaixonada por Shun (e antes que ousem dizer algo: um homem pode ser delicado e, ainda assim, homem), que está prestes a deixá-la para salvar a vida de Saori (tédio). Enquanto a infeliz da Atena, apesar de deusa, precisa de mil cavaleiros para defendê-la, June só precisa da presença de um, ao seu lado, e para isto enfrenta seu inimigo. Tentando convencê-lo a ficar, June ataca Shun, luta por seu amor. Já derrotada, se declara, mostra seu rosto e … se fode, pois Shun a deixa.

A intenção não é mostrar como mulheres corajosas que lutam por seus ideais acabam mal (apesar de parecer bastante que eu estava tentando fazer algo do gênero), não, não. A grande qualidade destas heroínas é expressar seus sentimentos, da forma mais humana e natural. Esse amor visceral é geralmente retratado em animes de duas formas: como sofrimento ou luta. Pois eu fico com as guerreiras. Arre, estou farta de princesas e semi-deusas. Onde é que há mulheres nos animes?

ps.: Deixo Éowyn para a sessão heroínas de filmes.

 

Talita que terá participações semanais por aqui, também escreve para o blog Susi Não Anda Sozinha



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