Iron Maiden no Brasil – O Amor por uma Donzela

SIM! SIM! SIM! Uma série de 4 artigos, mais um relato-pós show do dia 2 de março compõe esse Especial Iron Maiden. Milla Pupo – Estudante de jornalismo e da cultuada banda em questão, descreve sua paixão pela mesma, entre análises e experiências pessoais sobre cd’s e shows. Porque com uma ótica feminina, tudo fica mais interessante.

O amor por uma donzela.
Por Milla Pupo

Primeira parte
Começando de onde deve.

Falar sobre Iron Maiden sem falar de minha vida seria algo bem difícil. Hoje com 26 anos de idade (I´m old, I know) além do amor pela banda tenho muita história por conta desse sentimento.

Tudo começou quando eu tinha 11 anos e conheci uma menina na escola. Fui à casa dela, que escondido da irmã (headbanger veja só) mostrou os discos do Maiden me dizendo: “Escuta isso que legal!” eu claro, escutei e me apaixonei.

Era algo, até então, totalmente novo, aquela música, as guitarras, a agressividade, o peso. Era perfeito para uma garota tímida como eu que não sabia direito o que gritar quando tinha raiva. Pronto. Resolvido. Cante Maiden.

Strangers in a Strange LandA parte de cima do meu beliche ganhou uma coleção de Eddies. Pôsteres, recortes e depois uma bandeira de “Strangers in a Strange Land” .
Foi amor à primeira nota, não tinha mais retorno. Estava estabelecido o que ajudaria na minha formação como pessoa.

Eu e minha amiga decidimos que cada uma teria a sua coleção dos discos do Maiden, já que a irmã dela não nos deixava ouvir os seus.

Completamos então, cada qual sua coleção. Linda, sofrida e demorada.

A banda conta com muitos B-sides, qualquer fã iniciante que o valha pode fazer uma busca simples na internet e achar dúzias deles. Sendo assim comentarei os discos oficiais, que são os meus preferidos e que tenho histórias particulares sobre.

O primeiro LP intitulado Iron Maiden, foi lançado em 1980 e apresentava Steve Harris (baixo), Dave Murray (guitarra), Adrian Smith (guitarra), Clive Burr (bateria) e Paul Di´Anno (vocal) é um disco rápido, pesado e que ainda hoje é clássico. É só escutar Prowler e Charlotte The Harlot para saber do que estou falando. Charlotte por sinal é o nome que dei para minha cachorra que não gosta de mim, acho que ela sabe o que harlot significa.

O segundo disco Killers (1981) seguiu com a mesma formação e receita, mas uma pitada a mais de agressividade ao afirmar que a mão que agarra a camiseta do Eddie na capa seria da então primeira ministra da Inglaterra Magaret Thatcher. Recomendo todas as músicas, com atenção especial à faixa título.

Os dois primeiros álbuns são ótimos, mas é inegável que o Paul tem uma vertente muito mais punk, agressivo (o que me ajudou a fazer meu namorado a gostar mais de Maiden), uma música mais rápida e menos melodiosa da que vem a seguir com o Bruce Dickinson nos vocais.Ainda em 1981 Paul Di´Anno deixa os vocais. Diversos são os motivos alegados, mas fato significativo é que ele saiu.

Entra para banda e, porque não ser clichê, para história Bruce Dickinson como frontman. Com uma voz completamente diferente do seu antecessor, foi apelidado modestamente de “Air Ride Siren”. Quem não o ouviu cantando e segurando o mesmo tom por quase 1 minuto que venha questionar o apelido.

Assim eles lançaram em 1982 um dos discos mais memoráveis, o The Number of The Beast. Com músicas mais melodiosas, como a voz do novo vocalista permite, e um som com mais qualidade, demonstrando maturidade da banda.

Um adendo é que pode ser um problema sair cantando suas letras, pois bradar o singelo refrão “Six, Six Six the number of the beast / Six, Six, Six the one for you and me” pode ser complicado quando sua mãe é evangélica, por exemplo.Sim, era esse o meu caso, mas com muita conversa convenci mamãe que não queria ser seguidora do chifrudo e pude ter uma adolescência saudável. Usando preto, de coturno, pulando de sebo em sebo para encontrar discos e indo a shows que marcaram minha vida, inclusive quem me levava nesses shows era meu pai. Voltando ao disco, escute (caso não tenha escutado) a faixa título, Hallowed Be Thy Name e Run To The Hills, elas ainda hoje são tocadas em todos os shows.

Pronto. Agora que você já se situou é só esperar pelo próximo capítulo. Não prometo nada como Paulo Coelho, pois tenho qualidade, e modéstia é obvio.

Segunda parte
Pedaços de uma menina sem língua

O terceiro álbum do Iron Maiden, Piece of Mind, foi lançado em 1983 e com formação diferente. Dessa vez foi o baterista Clive Burr que deixou a banda, ocupando seu lugar o polvo Nicko McBrain. O disco é reduto de hinos, entre eles The Trooper e Flight of The Icarus. Nessa turnê o Eddie começa a ganhar mais espaço e sua aparição no palco é mais freqüente, o que aumenta o carinho dos fãs pela caveira mais marcante da história do rock.

O Eddie foi criação do desenhista Derik Riggs que durante anos trabalhou exclusivamente para o Maiden e como assinatura tinha um símbolo. Toda capa continha um, muitas vezes escondido ou meio camuflado, o que era muito legal, pois eu ficava procurando o dito sempre e quase ficava emocionada quando achava.

Em 1984 o Iron lança o Powerslave, a faixa título é de autoria do Bruce, que deixa claro o interesse que sempre nutriu por História Antiga. É aqui também que encontrará a música Rime of the Ancient Mariner, faixa mais longa da banda, com treze minutos de duração, mas não se assuste ela não mata ninguém de tédio, na verdade tem motivo para durar esse tempo todo, pois é baseado em um poema de Samuel Taylor Coleridge, que narra a maldição de um marinheiro após matar um albatroz e vale a pena conferir porque a letra é belíssima.É um disco que merece lugar em sua coleção, tanto pelas músicas como pela arte da capa, que é fantástica (dê uma breve olhada e encontrará citações como “Indiana Jones Was Here 1947” cravadas nas paredes egípcias) além da importância do disco como um clássico.

Fora o fato que foi nessa turnê a primeira vinda ao Brasil, na primeira edição do Rock In Rio e foi essa turnê que culminou no lançamento do primeiro disco ao vivo da banda (com tantos “primeiros” assim o disco só pode ser importante), o Live After Death. Um álbum duplo que demorou a eu conseguir. Entendam, assim como hoje, um cd duplo é ligeiramente caro, um vinil duplo era um absurdo, de forma que não conseguia juntar dinheiro para comprá-lo e apelei ao meu irmão. Depois de cara de piedade e de histórias sobre como eu seria uma menina mais completa se tivesse o tal disco, meu irmão se compadeceu e me presenteou com ele.

Uma pausa para uma história particular pode ser? Se não puder pule essa parte, normalmente quem escreve é meio ditatorial e acaba escrevendo sempre o que quer.
Pois bem, foi nessa época, algo em torno de 1994 que resolvi que queria um coturno. Sempre tive uma relação muito boa com meus pais (mesmo tendo que explicar que não seria seguidora do diabo) e pedi o coturno para meu pai, foi algo assim:


-Pai, queria uma botinha de aniversário, me dá?
-Uma botinha? E porque uma bota?
-Ah porque é legal, eu queria.
-E onde tem essa bota que você quer?
-Então… lá no centro de São Paulo.
-Só lá?
-É…só lá.
Levei meu pai na Galeria do Rock e assim que chegamos, ele me disse que não sabia o que eu queria por lá, porque só tinha coisas de homem. Na loja foi assim:
-Pai é esse que eu quero!(um coturno, preto, super grosseiro, que pesava quase um quilo).
-Isso??? Não acredito, e cadê a botinha?
-É essa a botinha pai.
-Tsc (falando para o vendedor) a gente cria uma menina e olha só no que dá.
Eu ganhei meu coturno e ainda o tenho hoje, mas deixei de usar faz tempo porque tive tendinite no calcanhar devido ao peso dele.

Surge em 1986 sexto disco de estúdio da banda, o Somewhere In Time, em que o Eddie aparece como um guerreiro futurista e na arte gráfica há detalhes associados à banda, como um bar chamado Aces High, o relógio que marca 23h58min, a rua chama Acacia, como na música 22, Acacia Avenue, do The Number of the Beast, o mesmo gatinho preto do Killers, no cinema o anúncio de Blade Runner (talvez venha daí a inspiração futurista), no desenho do baterista Nicko McBrain em sua camiseta está escrito Iron what? e procurando com atenção vai achar até o Batman na capa e tem muito mais.

O som está mais limpo e pela primeira vez contou com a introdução de guitarras sintéticas, mas nem por isso houve mudança drásticas no estilo da banda. É um disco que trouxeram diferenciais, escute Wasted Years, Deja-Vu e Strangers in a Strange Land têm uma sonoridade diferente das demais músicas.

Esse disco é tão marcante pra mim, que é dentro dele que guardo o autógrafo do Bruce Dickinson que consegui na extinta Empire Discos na Galeria do Rock. O Bruce veio divulgar seu disco solo o Skunkworks. Eu, como fã, fui até lá e ao ficar de frente com ele sabe o que eu fiz? Nada. Absolutamente nada. Eu emudeci, nem um “Hi, I love you man”, mas uma cara de besta e atitude zero. Foi assim o meu encontro com meu ídolo juvenil. E ele lá sorrindo me dizendo Hi, Hello e eu pensando “Respire, respire, respire” e quando menos esperava me deram o autógrafo (sem dedicatória, pois perdi minha língua e noção, e sequer disse meu nome) e me colocaram para fora da loja. Pelo menos tenho o autógrafo dele e uma história ridícula para contar.

O próximo disco é de 1988 o Seventh Son of a Seventh Son e o que não contei logo no começo, é que foi esse o primeiro disco que escutei do Maiden com a minha amiga na casa dela. É considerado um disco conceitual porque trata de um mesmo tema, como se estivesse contando uma história do início ao fim. Aborda as visões de um médium que anuncia sua própria morte e enlouquece no final, tudo isso com muito misticismo, citações bíblicas e a inclusão de teclado nas músicas, que substituiu as guitarras sintéticas usados no disco anterior. As faixas The Clairvoyant, Moonchild, Infinite Dreams, The Evil That Men Do e Can I Play With Madness traduz muito bem o que este disco significa em todo seu conceito e proposta.

Essas inovações nos discos talvez fossem um presságio das verdadeiras mudanças que viriam, mas isso fica para próxima vez.

Terceira Parte
A saída e o retorno do clássico

A banda leva dois anos para lançar outro álbum e nesse tempo algumas coisas acontecem. A mais marcante é que Bruce Dickinson forma uma banda e grava o Tattooed Millionaire mostrando um som mais suave, mais soul e bem diferente do que fazia no Maiden, esteve nesse projeto Janick Gers que logo entraria para o Iron.

Com a nova banda solo de Mr Air Ride Siren surgiram boatos que a banda seria desfeita, mas contradizendo isso eles começaram a gravação do novo disco. O guitarrista Adrian Smith que também assinou um novo projeto chamado A.S.A.P começa a ter desentendimentos com a banda e acaba deixando o Iron Maiden mesmo tendo composto sete músicas do novo disco, no caso o No Prayer For The Dying que foi lançado em 1990 trazendo como seu substituto o guitarrista Janick Gers.

Particularmente não sou grande fã de Gers e tampouco desse álbum. Considero guitarrista e disco, como um dos mais mornos e sem força da banda até então. As músicas têm uma pegada diferente e algumas parecem mais hard rock do que heavy metal, as melhores são Bring Your DaughterTo The Slaughter, Tailgunner e The Assassin.O próximo álbum não só foi sucesso como foi derradeiro. Em 1992 sai o esperado Fear of The Dark, um disco que nasceu para ser clássico. Todas as faixas são ótimas, tem peso, tem força, é Iron Maiden em sua melhor forma.

O inesperado é que em 1993 Bruce Dickinson decide deixar a banda, alegando que queria se concentrar em projetos pessoais.O mais triste de tudo isso é que foi nessa época que conheci Maiden e juro que sentia que tinha perdido muito com a saída do Bruce. Porque a essência da banda estava muito vinculada a ele. Depois de dois anos de espera é anunciado o novo vocalista, Blaze Bayley.

Como fã do Bruce Dickinson no vocal dispensei os álbuns que contavam com o Blaze Bayley cantando. Ainda hoje não carrego remorso algum por não ter os dois piores discos da banda, The X Factor (1995) e Virtual Eleven (1998). Digo isso só pelo vocal, Blaze destruiu o álbum e a prova disso é que basta escutar Sign Of The Cross e The Clansman com o Bruce que perceberá a diferença e vivacidade que as músicas ganham.Não sou maníaca pelo Bruce, a confirmação é que gosto muito do Paul Di´Anno como vocalista. Já com o Blaze nos vocais, eu escuto e penso: “Hã?” Não tem autenticidade, não tem força, não tem nada. Mesmo assim eu assisti a dois shows com esse cidadão cantando. Foram dois shows na verdade.

O primeiro foi em 1996 no Philips Monsters Of Rock e não bastando ter que ouvir Blaze, antes ainda escutei Skid Row tocando (como fã sofre). Valeu porque eu vi todos os integrantes, vi o Nicko destruindo na bateria, o Steve dedilhando o baixo como ninguém, o Dave mandando muito bem na guitarra e o Gers que até tocou bem.Em 1997 é anunciado que o Brude Dickinson se apresentaria com sua banda no Brasil. Não poderia perder a chance de vê-lo cantando. Era a turnê de seu quarto álbum, o Accident of Birth. Foi o show que eu mais apanhei. Cheguei com hematomas em casa, juro. Mas foi sensacional cada momento, e em cada música que ele cantava eu lamentava não estar vendo ele com o Iron Maiden.

O segundo show do Maiden foi em 1998, mais especificamente dia 05 de Dezembro, era o show de comemoração de 13 anos da extinta rádio rock, 89FM. Quando diz respeito à Iron Maiden, não importa a condição, se houver show eu irei, nunca tive dúvida disso.

E não foi diferente, mesmo com o Blaze ainda penando nos vocais lá fui eu prestigiar a minha banda do peito. O problema foi que logo na fila, São Paulo decidiu desaguar em nossas cabeças. Os portões demoraram a abrir, houve briga, quebraram os vidros de um ônibus, e jogaram uma bexiga com xixi em mim. É isso mesmo éca. Se me disserem que sou fresca e que não amo Maiden eu surto. Veja só que coisa triste no final. Molhada de chuva e de xixi alheio e ainda o Blaze cantando (ao menos garanti meu lugar no céu).

Ainda no mesmo ano surgiram rumores que o Blaze sairia da banda tamanha era sua ineficácia como vocalista e boatos (felizes) que o Bruce Dickinson voltaria ao Maiden.

No dia 21 de Abril de 1999 o Bruce toca em São Paulo na Via Funchal, turnê do quinto disco o Chemical Wedding. Cheguei cedo na fila e lá, no meio de todo mundo descubro que ele gravaria o show para um disco ao vivo. Pronto, decidi na hora que ficaria na grade de qualquer forma e que gritaria suas músicas como nunca para que minha voz pudesse ser perpetuada junto com a dele em um disco. Assim foi. Entrei e fiquei na grade. Pulei, cantei e quase me matei de emoção quando ele anunciou que cantaria algo antigo. Realmente foi algo muito velho, quase das tumbas, ele cantou Powerslave e foi sensacional. Nesse instante repensei com carinho o boato de que ele voltaria ao Maiden.

Ele lançou o álbum ao vivo, intitulado Scream for me Brazil e eu afoita comprei logo, mas não escutei e nem tinha foto minha lá mas nem liguei porque sabia que estive presente.

Só para citar, porque a vaidade humana é algo inevitável. Há pouco tempo, mais precisamente em 2006 foi lançado o Anthology do Bruce Dickinson. Um DVD triplo que entre outras coisas, continha o show gravado em 1999 na Via Funchal que eu estava presente. Vou assistir o DVD e quem minha irmã e meu namorado logo localizam suada, com a cara redonda e cantando na grade? Sim, eu. Pronto já posso morrer feliz agora.Tempo depois do show do Bruce recordo claramente da notícia que li num jornal regional daqui de São Bernardo do Campo, na verdade guardo o recorte ainda hoje. O título era “Dickinson e Adrian Smith no Maiden – Dupla volta ao grupo, que chutou Bayley e virou sexteto” nossa que alegria. Liguei para minha amiga no mesmo instante e contei a notícia e gritamos juntas por telefone mesmo.

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Quarta Parte
Que outra palavra de título senão FELICIDADE

Em 29 de Maio de 2000 é lançado o esperado álbum com o Maiden como sexteto (assim até parece coisa de Jô Soares credo) o Brave New World. Excelente disco, que assim como o Fear of The Dark, nasceu para ser clássico. Foi feito com base no livro Admirável Mundo Novo (1932) de Aldous Huxley que fala de um mundo futurista dominado por máquinas e supostamente perfeito, aborda a ausência de sentimento e alma, que caracterizam o homem em sua essência e toda a problemática disso em uma sociedade.

Disco novo significa turnê, logo, show. Para minha felicidade eles tocariam sim no Brasil em 2001, mas seria um único show e no Rio de Janeiro.

Na época eu estava trabalhando e o show seria dia 19 de Janeiro, uma sexta feira, mas como era no Rio eu teria que sair dia 18 por volta das 22hs e retornaria dia 20 por volta das 12hs. Conversei com meu chefe que não quis me dar o dia, mesmo eu dizendo que faria extra para compensar depois. Na verdade ele achou um ultraje eu me deslocar para outro estado para ver uma banda de rock. Ingresso comprado, passagem de excursão paga, não tive outra escolha, pedi demissão e garanto que foi a melhor coisa que poderia ter feito.

Dia 18 de janeiro na Galeria do Rock entro no ônibus da excursão para o show da minha vida. Sai por volta das 22hs e chegamos a Jacarepaguá por volta das 11hs e estava um calor típico do inferno. Os arredores não têm nada, seria um lugar ermo não fosse a grande quantidade de fãs no local. Eu estava toda de preto, com o meu coturno e sem protetor solar. Quem me conhece sabe que sou branca demais, não é a toa que quando viajo meu pai sempre me manda ter cuidado com a polícia florestal, diz que se me pegarem irão achar que é contrabando de palmito (meu pai tem bom humor). Graças a uma outra garota branquela descolei um protetor solar e me salvei do sol, mas não do calor.

Entramos e eu só pensava em como aquele lugar era imenso, era uma cidade do rock sem duvida e pretensão alguma. O calor era tanto que me esgueirei com minha amiga até uma das tendas que ficavam jogando água nas pessoas, era um sistema como aqueles do mercado que molham os alfaces sabe? Ah eu me sentia um alface e estava feliz como nunca por isso. E eu vi o Supla cantando e me diverti lá na tenda, com um bando de alface como eu.

Resolvi dar uma volta e me enfiei em outra tenda, uma que era somente para debates e para minha alegria tinha ar-condicionado. Era tudo tão fresquinho que primeiro eu e minha amiga sentamos e depois deitamos, e apareceu um rapaz muito mal e sem coração e disse que lá não era lugar para dormir. Como assim? E saímos meio que contrariadas daquela tenda metida com ar condicionado e voltamos ao nosso lugar de alface feliz.

Confesso meio que envergonhada, que estava tão cansada que praticamente dormi toda a tarde e não vi os demais shows do Rock In Rio, coloquei a cabeça em cima da mochila e dormi no chão mesmo, na terra. Acordei de noite renovada e ansiosa para o show do Maiden. Fui para o meio da pista e quando as luzes apagaram meu coração estava quase saltando do peito. Quando ouvi o começo da música The Wicker Man achei que morreria ali e seria pisoteada, tamanha era minha emoção. Quem não é fã de algo, pode não entender o que quero dizer com isso, a sensação de realização, de alegria que se sente nessas horas. Eu pulei e cantei todas as músicas, e sabia que estava realizando algo que levaria para toda vida na memória. E assim foi, porque até hoje guardo, como uma das coisas mais significativas da minha vida, o momento de consolidação do que sempre gostei, desejei e o que pude realizar estando lá.

Depois de mais três anos de espera sai o Dance Of Death. É um disco bom, Iron Maiden de qualidade, tudo dentro do esperado, nada de espetacular. Fizeram tudo bem feito. Faixas como Wildest Dreams, Paschendale e RainMaker fazem o disco valer a pena. A banda entra em turnê e no dia 17 de Janeiro de 2004 toca em São Paulo, no Estádio do Pacaembu, para mais de 50.000 pessoas. Claro que eu estava lá, cheguei cedo na fila, dessa vez acompanhada de meu namorado e minha amiga (sim, a mesma dos shows anteriores), ao entrar conseguimos chegar até a grade, e mesmo com esforços heróicos do meu namorado para me manter por lá, percebi que não seria possível. Não estava mais agüentando tanta gente empurrando (olha o sinal da idade) e saí (saímos) da grade e terminei de ver o show na pista, num lugar mais sossegado. O palco foi sensacional, com trincheiras e o Eddie é claro. Tudo dentro do esperado, não superou o Rock In Rio.

Em 2006 é lançado o 14º disco de estúdio, A Matter of Life and Death. Assim como o anterior, é um bom disco e desempenha muito bem seu papel. O que eu creio que cause certa indiferença dos fãs mais antigos (como eu) aos álbuns mais novos é um pouco do saudosismo de quem presenciou o lançamento (em minha opinião) do seu último grande disco, o Brave New World e pode ver a banda no Rock In Rio em sua melhor performance, as comparações acabam sendo inevitáveis. Curiosamente não houve turnê desse disco aqui no Brasil, o que decepcionou a muitos (me incluam).

Em 2007(ano passado lembra?) foi confirmada a apresentação da banda dia 02 de Março de 2008 e sim, já tenho o ingresso graças a uma pessoa desesperada e mais bem informada do que eu, que os comprou no dia que começaram as vendas, meu namorado (tks darling).

Os shows fazem parte da turnê “Somewhere Back in Time” que tem como proposta tocar o repertório clássico da banda e fazer referência às cenografias dos álbuns Powerslave e Somewhere in Time. A banda ainda virá ao Brasil com o Bruce pilotando um Boing 757 personalizado (ele tem brevê, chato isso né?)

Nem preciso dizer que estou ansiosa, afinal aí está o show que pode ficar pareado com o Rock in Rio nas minhas lembranças. Boa sorte para mim e para quem mais for ao show, e como foi eu conto depois.

Até lá.

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