Iron Maiden no Brasil – Parte 2

O Amor por uma Donzela

Por Milla Pupo

Segunda parte
Pedaços de uma menina sem língua

O terceiro álbum do Iron Maiden, Piece of Mind, foi lançado em 1983 e com formação diferente. Dessa vez foi o baterista Clive Burr que deixou a banda, ocupando seu lugar o polvo Nicko McBrain. O disco é reduto de hinos, entre eles The Trooper e Flight of The Icarus. Nessa turnê o Eddie começa a ganhar mais espaço e sua aparição no palco é mais freqüente, o que aumenta o carinho dos fãs pela caveira mais marcante da história do rock.

O Eddie foi criação do desenhista Derik Riggs que durante anos trabalhou exclusivamente para o Maiden e como assinatura tinha um símbolo. Toda capa continha um, muitas vezes escondido ou meio camuflado, o que era muito legal, pois eu ficava procurando o dito sempre e quase ficava emocionada quando achava.

Em 1984 o Iron lança o Powerslave, a faixa título é de autoria do Bruce, que deixa claro o interesse que sempre nutriu por História Antiga. É aqui também que encontrará a música Rime of the Ancient Mariner, faixa mais longa da banda, com treze minutos de duração, mas não se assuste ela não mata ninguém de tédio, na verdade tem motivo para durar esse tempo todo, pois é baseado em um poema de Samuel Taylor Coleridge, que narra a maldição de um marinheiro após matar um albatroz e vale a pena conferir porque a letra é belíssima.É um disco que merece lugar em sua coleção, tanto pelas músicas como pela arte da capa, que é fantástica (dê uma breve olhada e encontrará citações como “Indiana Jones Was Here 1947” cravadas nas paredes egípcias) além da importância do disco como um clássico.

Fora o fato que foi nessa turnê a primeira vinda ao Brasil, na primeira edição do Rock In Rio e foi essa turnê que culminou no lançamento do primeiro disco ao vivo da banda (com tantos “primeiros” assim o disco só pode ser importante), o Live After Death. Um álbum duplo que demorou a eu conseguir. Entendam, assim como hoje, um cd duplo é ligeiramente caro, um vinil duplo era um absurdo, de forma que não conseguia juntar dinheiro para comprá-lo e apelei ao meu irmão. Depois de cara de piedade e de histórias sobre como eu seria uma menina mais completa se tivesse o tal disco, meu irmão se compadeceu e me presenteou com ele.

Uma pausa para uma história particular pode ser? Se não puder pule essa parte, normalmente quem escreve é meio ditatorial e acaba escrevendo sempre o que quer.
Pois bem, foi nessa época, algo em torno de 1994 que resolvi que queria um coturno. Sempre tive uma relação muito boa com meus pais (mesmo tendo que explicar que não seria seguidora do diabo) e pedi o coturno para meu pai, foi algo assim:


-Pai, queria uma botinha de aniversário, me dá?
-Uma botinha? E porque uma bota?
-Ah porque é legal, eu queria.
-E onde tem essa bota que você quer?
-Então… lá no centro de São Paulo.
-Só lá?
-É…só lá.
Levei meu pai na Galeria do Rock e assim que chegamos, ele me disse que não sabia o que eu queria por lá, porque só tinha coisas de homem. Na loja foi assim:
-Pai é esse que eu quero!(um coturno, preto, super grosseiro, que pesava quase um quilo).
-Isso??? Não acredito, e cadê a botinha?
-É essa a botinha pai.
-Tsc (falando para o vendedor) a gente cria uma menina e olha só no que dá.
Eu ganhei meu coturno e ainda o tenho hoje, mas deixei de usar faz tempo porque tive tendinite no calcanhar devido ao peso dele.

Surge em 1986 sexto disco de estúdio da banda, o Somewhere In Time, em que o Eddie aparece como um guerreiro futurista e na arte gráfica há detalhes associados à banda, como um bar chamado Aces High, o relógio que marca 23h58min, a rua chama Acacia, como na música 22, Acacia Avenue, do The Number of the Beast, o mesmo gatinho preto do Killers, no cinema o anúncio de Blade Runner (talvez venha daí a inspiração futurista), no desenho do baterista Nicko McBrain em sua camiseta está escrito Iron what? e procurando com atenção vai achar até o Batman na capa e tem muito mais.

O som está mais limpo e pela primeira vez contou com a introdução de guitarras sintéticas, mas nem por isso houve mudança drásticas no estilo da banda. É um disco que trouxeram diferenciais, escute Wasted Years, Deja-Vu e Strangers in a Strange Land têm uma sonoridade diferente das demais músicas.

Esse disco é tão marcante pra mim, que é dentro dele que guardo o autógrafo do Bruce Dickinson que consegui na extinta Empire Discos na Galeria do Rock. O Bruce veio divulgar seu disco solo o Skunkworks. Eu, como fã, fui até lá e ao ficar de frente com ele sabe o que eu fiz? Nada. Absolutamente nada. Eu emudeci, nem um “Hi, I love you man”, mas uma cara de besta e atitude zero. Foi assim o meu encontro com meu ídolo juvenil. E ele lá sorrindo me dizendo Hi, Hello e eu pensando “Respire, respire, respire” e quando menos esperava me deram o autógrafo (sem dedicatória, pois perdi minha língua e noção, e sequer disse meu nome) e me colocaram para fora da loja. Pelo menos tenho o autógrafo dele e uma história ridícula para contar.

O próximo disco é de 1988 o Seventh Son of a Seventh Son e o que não contei logo no começo, é que foi esse o primeiro disco que escutei do Maiden com a minha amiga na casa dela. É considerado um disco conceitual porque trata de um mesmo tema, como se estivesse contando uma história do início ao fim. Aborda as visões de um médium que anuncia sua própria morte e enlouquece no final, tudo isso com muito misticismo, citações bíblicas e a inclusão de teclado nas músicas, que substituiu as guitarras sintéticas usados no disco anterior. As faixas The Clairvoyant, Moonchild, Infinite Dreams, The Evil That Men Do e Can I Play With Madness traduz muito bem o que este disco significa em todo seu conceito e proposta.

Essas inovações nos discos talvez fossem um presságio das verdadeiras mudanças que viriam, mas isso fica para próxima vez.

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Equipe Nerddisse

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4 Respostas para “Iron Maiden no Brasil – Parte 2”

  1. 1º, 8)
    Dessa vez não vou falar sobre o texto.
    Quero comentar sua experiência com o Bruce… :o

    Todos já pensamos no que diríamos se encontrassemos nosso ídolo, mas isso é normal, normalissímo o que aconteceu… Mas você TEM uma história pra contar, e é isso que importa. ;)

    No mais só no “Please Wait…” para próxima parte! Quero saber sobre os Showletas!

    =*

  2. Estou babando, estou emocionado, estou rindo pela história do Bruce…quero o próximo capítulo e quero que o dia do show chegue LOOOOOOGOOOOOOOOO!!!!

    Perfect e nothing more!

  3. ai, ai, ai. que bacana!

    e eu já vou poder dar uma de (+) nerd do róquenroll dizendo que sei tudo sobre o Iron Maiden. é quase como aquele livro do bayard “como falar dos livros que não lemos”, que, inclusive, eu não li, mas o zeca camargo deu um mega resumo no blog dele.

    eita, fugi do tema. então, fica tão mais gostoso aprender sobre algo com essa leitura fácil e intimista. e fiquei curiosissima pelas capas, me mostra um dia? mostra?

    na espera pelo próximo.
    =**

  4. Na espera!!
    aahahhahahha e ela tem a “botinha” até hoje!! ahahahahahahaha doida!!!

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