Iron Maiden – Voltando no tempo

Por Milla Pupo

O dia 2 de março chegou. Um domingo de muito sol e a vontade de um show memorável. Na chegada ao Parque Antártica por volta das 15hs uma fila imensa ao redor do estádio, mas não maior que minha ansiedade em rever a minha banda do peito, Iron Maiden.No sol que insistia em queimar, o aguardo pelo show e uma boa notícia. Duas pessoas importantes conseguiram ingresso. Minha amiga, que assistiu aos quatro shows anteriores comigo e minha irmã, que obriguei durante minha adolescência inteira a escutar os meus discos do Maiden e que hoje gosta da banda.

Enquanto esperava, notei muita gente nova na pista, deixando claro que Iron Maiden mantém o mesmo carisma e qualidade, pois continua atraindo mais fãs.

Na pista e arquibancada, um total de 40 mil pessoas esperando pelo show, assim como eu, e por volta das 19hs entra no palco a filha do homem, Lauren Harris e sua banda. Nada de surpreendente, principalmente para fãs que esperam pelo Maiden. Ela fez o que tinha que fazer, cantou, sacudiu o cabelo, gritou “Let me see your fucking hand´s” e foi embora.

A menina no palco só aumentou a ansiedade, pois significava que estava chegando a hora. A entrada deles estava prevista para 20hs e uns 10 minutos antes disso, São Paulo decide desaguar em nossas cabeças. Foi uma chuva besta, daquelas que chega garoando, vira tempestade e vai embora, só deixando todo mundo com cara de pato molhado que não sabe direito o que houve.

Meus cabelos pingando, a roupa molhada e o desespero para secar meus óculos. Sequei. Apagaram as luzes. Coração acelera. Meus pés insistem em bater nervosamente no chão. No telão imagens do “Ed Force One” e nos ouvidos “Transylvania”. Pronto. Começou.

Entra o discurso do Winston Churchill. É, seria algo espetacular sem dúvida. Fechei os olhos e lembrei de muita coisa. Estava com quinze anos novamente. Abriu com “Aces High”. Cantei, pulei e torci o pé, mas por isso eu quebraria minha perna com prazer.

No palco, os seis. Completo. Como deveria. Pode parecer exagero para quem não partilha ou não tem identificação com uma banda, ou algo do gênero, mas foi como reviver um dos melhores momentos da minha vida. A banda que me fez correr atrás de todos os discos, que me deu tanta alegria, que foi minha adolescência, estava no palco e tocando músicas que nunca escutara antes ao vivo.

Achei que fosse chorar em várias músicas, mas a empolgação não abriu espaço para isso. Tocaram “Revelations” e em “The Trooper” o Bruce apareceu com um uniforme vermelho parecido com o que o Eddie usa no desenho e com a bandeira da Inglaterra. A próxima foi “Wasted Years” e essa sim me emocionou. Sempre adorei a letra e o refrão me recordou que quando era mais nova me lamentava em saber que o Dickinson não estava mais na banda, achava que tinha conhecido Maiden tardiamente e quase me irritava com o refrão que dizia: “Don’t waste your time always searching for those wasted years”. Como assim não perder meu tempo pensando nos anos perdidos? No caso, eram os anos que perdi não conhecendo a banda. Era uma angustia mesmo. Mas naquele momento tudo era diferente e a música ganhou outro significado.

Tocaram “The number of the beast” e “Can I play with madness”, mas não foi novidade. Eu já escutara essas em outros shows, não que não tenha cantado e pulado da mesma forma, mas ainda tinha mais surpresas.

A próxima foi “Rime of the Anciente Mariner” a faixa mais longa do Maiden, com treze minutos, nunca imaginei que ouviria ela ao vivo. O Bruce subiu ao palco com uma capa preta, como que interpretando o marinheiro amaldiçoado pelo albatroz segundo a letra. Sensacional.

Não bastando isso, logo em seguida começa “Powerslave” e o Dickinson aparece de colete e a máscara de Osíris, usada na turnê do álbum “Powerslave”. Minha amiga e eu sempre sonhamos em vê-lo com essa máscara. É engraçado, porque me disseram que é só uma máscara de penas, mas não é. Como todo aquele show, ela simbolizou a realização de mais um sonho juvenil e quando eu o vi no palco, olhei para minha amiga e nos abraçamos. Não foi preciso dizer nada, só nos olhamos, sorrimos e cantamos.

No bis a banda voltou com “Moonchild” para minha alegria, na seqüência “The Clairvoyant” e fechou com “Hallowed be thy name”. Sim, Iron Maiden, santificado seja vosso nome.

Particularmente o show foi um presente, primeiro porque ganhei o ingresso do meu namorado e segundo porque trouxe várias sensações e emoções guardadas. Continua sendo a banda que mais amo e a mais participativa da minha vida, não importa o tempo que passe, porque mesmo eu sentindo que tenho quinze anos e a dor no corpo do dia seguinte lembrando que tenho vinte seis, é a única banda que me faz sentir isso, independente do tempo que passe.

Set List

Transylvania

Intro – Churchills Speech
Aces High
2 Minutes To Midnight
Revelations
The Trooper
Wasted Years
The Number Of The Beast
Can I Play With Madness
Rime Of The Ancient Mariner
Powerslave
Heaven Can Wait
Fear Of The Dark
Run To The Hills
Iron Maiden

BIS
Moonchild
Clairvoyant
Hallowed Be Thy Name


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