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Chernobyl: o trágico acidente nuclear agora aberto para visitação

A maior tragédia nuclear da história está hoje aberta para o turismo: Chernobyl acidente nuclear que deixou uma cidade fantasma, condenada para eternidade.

Chernobyl é hoje uma cidade fantasma e condenada para sempre. Anos depois da explosão dos reatores da usina nuclear que chocou o mundo, agora é possível visitar a chamada “Zona de Exclusão”. Claro que existem regras e você não pode ficar exposto por mais de um certo período de tempo, pois a radiação ainda existe e é uma constante ameaça.

Com certeza você já viu fotos ou algum documentário sobre o assunto. Mas hoje, ao ler este artigo, você vai ficar sabendo de fatos novos. São verdades que até hoje ameaçam nossas vidas (a minha, a sua…a de nossos filhos). Portanto, não deixe de ler, pois é importante.

Reator 4 de Chernobyl

Reator 4 da usina nuclear de Chernobyl após explosão

Relembrando: mas afinal, o que aconteceu em Chernobyl?

Em meados dos anos 70 a então União Soviética deu início a construção de uma usina nuclear na cidade de Chernobyl. Para abrigar os trabalhadores, uma segunda cidade foi planejada e construída próximo a Chernobyl, chamada Pripyat.

No dia 25 de abril de 1986 uma manutenção de rotina estava prevista no reator 4 da usina. Chernobyl operava com 4 reatores e haviam mais dois em construção. Nesta manutenção as máquinas dos reatores seriam desligadas.

Até aí tudo bem! Manutenções eram feitas normalmente sem problemas. Ocorre que desta vez os responsáveis pela direção da usina resolveram fazer um teste no reator antes de desligarem as máquinas. Era um teste para saber se o sistema de refrigeração funcionaria em determinadas condições. Uma sucessão de erros, imprevistos e teimosias teve início a partir de então. Descobriu-se mais tarde que os operadores responsáveis pelo teste (e pela própria usina) não tinham a experiência necessária para o ofício. À 1:23h do dia 26 de abril, durante o teste, houve a primeira explosão. Logo em seguida uma segunda explosão levantou a tampa de concreto do reator a uma altura de 14 metros (a tampa pesava 2 mil toneladas). Desde então as explosões não pararam mais.

500 vezes mais radioatividade que a bomba atômica de Hiroshima

Os impactos da radioatividade na fauna de Chernobyl - VICE

As explosões liberaram na atmosfera materiais extremamente radioativos como plutônio, césio e estrôncio. Não só a variedade de matérias radioativos, mas principalmente a quantidade liberada marcaram a tragédia como o maior acidente nuclear da história: equipara-se a 500 vezes a explosão de Hiroshima.

Governo soviético tenta abafar o caso, agravando a situação

Após a explosão, Moscou tentou abafar o caso e negou o acidente por dois dias. Um preço caro que foi pago com a vida de milhares de pessoas.

É claro que, mesmo sem o pronunciamento soviético, as potências internacionais já suspeitavam de algo errado. No dia 27 de abril de 1986, um dia após o acidente em Chernobyl, a Suécia detectou através de seus monitores de radiação níveis anormais de iodo e cobalto no ar. Pensaram no início que era alugm problema em uma usina nuclear da própria Suécia, na cidade de Forsmark, mas logo perceberam que não. Na Dinamarca também os níveis apresentaram-se estranhos. Suspeitou-se então que a nuvem de radioatividade vinha do interior da União Soviética, porém Moscou negava.

Foto de Wendelin Jacober no Pexels

Mas não havia como negar! Na atmosfera da Suécia estavam presentes consideráveis quantidades de um material chamado rutênio, que se funde a mais de 2000 º C. Como poderia este material estar no estado gasoso? Alguma explosão grave com grande liberação de calor precisaria ter acontecido. Satélites americanos foram então utilizados para tentar detectar imagens suspeitas no interior da União Soviética, encontrando na Ucrânia um reator destroçado, ainda em chamas,  soltando fumaça.

Não havia mais o que negar. Mesmo depois de confessar o acidente, Moscou ainda assumiu uma postura de normalidade, minimizando a gravidade do problema.  5 dias após o acidente nuclear de Chernobyl, as autoridades soviéticas mantiveram as comemorações e desfile de 1º de maio em Kiev, capital ucraniana. Mikhail Gorbáchov só comentou sobre o acidente 18 dias após a tragédia. Neste período a nuvem de radioatividade já tinha chegado no Japão, EUA e Canadá.

O que aconteceu nos dias seguintes à explosão em Chernobyl

Os moradores da cidade de Pripyat, próximo à Chernobyl (onde estavam assentados os funcionários da usina) só receberam ordem de evacuação no dia seguinte às 14 horas. Ficaram, portanto, mais de 36 horas expostos à intensa radiação até que se desse início à retirada. Eram mais de 130 mil pessoas que demoraram cerca de uma semana para desocuparem toda a chamada “Zona de Exclusão”, um raio de 30 km ao redor da usina.

A demora no procedimento de evacuação acabou por causar a contaminação de boa parte da população desavisada.

Logo após a explosão, centenas de milhares de trabalhadores foram convocados para limpar a área. Muitos deles morreram e grande parte adquiriram as chamadas “doenças da radiação” (câncer, mutações genéticas, sangramentos, etc.).

Sequência dos fatos:

  • 26 de abril de 1986 – acidente no reator 4. Material radioativo começa a ser liberado para atmosfera;
  • 27 de abril – Às 14 horas (mais de 36 horas depois) há início o procedimento de evacuação (retirada) dos moradores de Pripyat;
  • de 27 de abril a 5 de maio de 1986 – dezenas de helicópteros carregam toneladas de areia e chumbo para tentar apagar o fogo do reator que ainda queimava;
  • 28 de abril 1986 – Suécia e Dinamarca detectam níveis anormais de radioatividade na atmosfera e suspeitam de acidente nuclear em Chernobyl;
  • 29 de abril de 1986 – Moscou finalmente admite o acidente e a notícia é divulgada pela primeira vez na Alemanha;
  • 5 de maio de 1986 – procedimento de evacuação das redondezas termina (mais de 130 mil pessoas retiradas);
  • 14 de maio – Pela primeira vez Mikhail Gorbáchov aparece publicamente para comentar sobre o acidente;
  • 23 de maio de 1986 – o governo soviético distribui solução de iodo à população;
  • Novembro de 1986 – Tem início a construção do chamado “sarcófago”, uma espécie de abrigo gigante de concreto para envolver o reator e conter a radiação. A estrutura foi feita para ter vida útil de 30 anos, porém foi construído às pressas e poderia haver defeitos;
  • 1989 – o governo russo embargou a construção dos reatores 5 e 6 da usina;
  • 2000 – depois de várias negociações internacionais, a usina de Chernobil foi desativada.

Quantas pessoas foram e ainda serão afetadas pelas consequências da radiação de Chernobyl?

Mais de 5 milhões de pessoas nas regiões da Bielorússia, Rússia , Ucrânia e outros países no norte da Europa foram contaminadas pela nuvem radioativa. 8 anos após a explosão ainda foram constatadas pessoas nessas regiões com mutações no DNA em decorrência da exposição à radiação.

Os registros oficiais estimam que 4.000 pessoas deverão morrer de câncer em decorrência da radiação de Chernobyl, porém alguns estudiosos do assunto calculam mais de 25 mil num período de até 70 anos após o acidente.

Foto de Wendelin Jacober no Pexels

As consequências de Chernobyl acidente nuclear : ontem, hoje e amanhã

Obviamente, além das vidas perdidas logo após o acidente por conta da forte radiação, Chernobyl exerceu e exercerá danos à saúde dos moradores da região por muitos anos. Ainda hoje é possível ver moradores nas regiões afetadas que, mesmo nascidos após o acidente, possuem problemas genéticos, envelhecimento precoce e outras doenças.

No entanto, a paisagem de Chernobyl e da cidade de Pripyat assemelha-se ao apocalipse. É assustador! A região está condenada por milhares de anos. Há pouquíssima vida nas redondezas e quanto mais próximo se chega da usina, pior fica. As cenas eram piores alguns anos atrás. Hoje a radiação, já bem menor, permite um pouco de verde e animais selvagens.

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